quinta-feira, dezembro 23, 2010

Encontros Inusitados

Estou ficando na casa do meu grande amigo Fellipe Gamarano Barbosa. Fellipe é cineasta, ele ve o mundo assim de uma maneira só dele. As vezes discutimos por causa disso porque eu vejo de uma maneira so minha. As discussões duram pouco pois somos amigos há tempo demais. Da casa dele saí de manhã para encontra uma outra amiga nossa que estudou conosco em NY. Marcamos o encontro no BiBi sucos o unico lugar que eu sei ir aqui no rio. Eu sei porque é logo aqui do lado. Assim que todo mundo que eu tenho que encontrar, eu encontro la. O Bibi é um lugar muito popular então na hora de almoço está sempre cheio.

Esperei do lado de fora minha amiga chegar enquanto eu observava a movimentação lá dentro. Quando ela finalmente chegou, entramos e eu pedi a dois senhores sentados numa mesa se podiamos divivir a mesa com eles. Eles concordaram, e começamos uma breve conversa sobre como era meio triste o fato das pessoas ficarem sentadas sozinhas em mesas de 4 lugares enquanto tinha gente que esperava de pe. Sentamos de uma maneira que minha amiga Elisa ficou na frente do meu vizinho e eu na frente do dela.

Tivemos conversas paralelas e por uma hora eu realmente nao tive a menor ideia sobre o que estava acontecendo com ela. A minha frente estava David. Um senho de 74 anos, muito em forma, muito gentil e que parecia emocionalmente abalado. Perguntei se ele estava bem e ele me explicou que estava muito tenso, sua filha diabetica tinha sofrido uma operação de 8 horas. Ela, ele me explicou era uma pessoa dificilima. Se recusava a ter enfermeiros terapeutas, nao comia e vive entrando em coma. Ele tem que ligar o dia inteiro para ver se ela comeu e quando ela nao atende ele sabe que tem que sair correndo porque ela deve estar em coma. " Quando ela entra em coma na cama tudo bem, eh facil, mas quando eh no chao e eu tenho que dar agua com açucar com conta gotas ajoelhado no chao me arrebenta! eu tenho 74 anos!"

Eu quando ouço essas coisas sempre quero trazer uma palavra de alivio. Ali eu nao sabia o que dizer. Propunha solucoes todas tentadas. " MInha filha eh muito revoltada! vc nao entende ela bate o pe e nao faz". Eu queria dizer " Entao deixa! O senhor nao pode ficar 24 horas por dia tomando conta da sua filha!". Impossivel de dizer isso. Como dizer a um pai que ja viu a filha quase morrrer um milhao de vezes para deixa-la e ver o que acontece? Entao eu ouvi em silencio. Ele me contou que tomava conta da filha, a sobrinha tinha tido cancer 5 vezes, o irmao tem 91 anos. Fui ouvindo sem saber o que dizer. Eu so dizia "Davi, o senhor precisa tomar pelo menos 5 minutos por dia para meditar! Pare por um segundo e fique com vc. Esqueca todos os outros!". "Eu nao posso minha filha, eu tenho que cuidar deles!!!" Eu ouvia, e sempre insistia na minha ideia " 2 minutos no banho fecha o olho e larga tudo!". Conversamos muito. E ao final ele que me explicou que era meio medium me contou que tudo que eu fizesse eu faria bem, daria certo. Eu agradeci as palavras.

Ao meu lado, Elisa minha amiga teve uma conversa bem menos inspiradora. Ela que é atriz conversou com outro Davi o ator da escolhinha do professor Raimundo SambariLove. Eu nao o reconheci porque eu sou pessima com essas coisas, alem de nao ter visto a escolhina muitas vezes.

De noite, fui com Fellipe a um bar aqui perto de casa. Sentamos, e ele comecou uma conversa com um senhor que eu tao pouco tinha reconhecido. O senhor estava fazendo um filme sobre musica e compositores. Fellipe falou para o senhor de mim, e me mandou sentar com ele. Das grandes coincidencias. O senho era o Eduardo Coutinho. De quem eu confesso nunca tinha ouvido falar ate assistir o filme sobre o qual escrevi no ultimo post. Sentei me com ele e disse tudo aquilo que escrevi aqui. Conversamos sobre antropologia, filosofia e muitos outros ia. Ele me falou para mandar as musicas. Eu achando aquilo tudo meio estranho. Eu que componho assim por diletantismo fiquei sem saber direito oque dizer. Nao fazia nem 12 horas que eu tinha escrito sobre ele, sobre o filme dele.

Voltei para casa, e o ultimo pensamento que tive antes de deitar nao foi sobre o E. Coutinho. A conversa com o Coutinho foi muito interessante mas oque me tocou foi o outro encontro, o outro que me deixou bem mais feliz. Foi o Davi. Logo antes de sair do Bibi ele me olhou e disse "Me desculpe! Eu joguei toda essa carga em cima de vc! Eu te contei tudo sobre tudo isso." Eu expliquei que ele nao precisava pedir desculpa, que eu esperava que ele parasse 2 minutos por dia para se recarregar. Que eu tinha ficado tocada ounvindo tudo. E entao ele disse " Julieta. Voce é uma pessoa muito muito especial. Encontrar voce aqui foi a melhor coisa que aconteceu no meu ano todo. Muito obrigada por vc ter me ouvido!"

Meu olhos se encheram de lagrimas. E eu entendi que as vezes nao temos que dizer nada. As vezes as pessoas sao colocadas no nossa caminho para serem ouvidas, para nos ouvirem. Ouvir mesmo. Ouvir com tudo que ta ali. E eu ouvi, e foi um presente muito grande para mim apenas ouvir. E no final ainda ouvir de um homem tao bom que nosso inusitado encontro tenha trazido um pouco de alento.

2 comentários:

gisele disse...

NAO EH ATOA QUE A GENTE TENHA 2 OUVIDOS E UMA BOCA!!!!! JULIETA, VC EH MESMO UMA INSPIRACAO PRA MIM...OBRIGADA

Anônimo disse...

JU! Voce é o máximo! Como que vc vem ao Rio e nem me avisa? So nao to mais chateado porque eu estava em Mauá!

Beijos
Ro